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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Exploração de urânio no Níger, na África, expõe população a níveis inaceitáveis de radiação

A República do Níger, na África Saheliana, tem um dos menores índices de desenvolvimento humano do mundo. Seu território é praticamente todo formado por deserto e o país vive há anos num ciclo de pobreza extrema, violência e instabilidade política. Sua maior riqueza são suas jazidas de urânio. Mas agora, graças a uma investigação do Greenpeace, sabe-se que elas estão também virando uma grande maldição. O recém-lançado estudo Abandonados ao Pó – Legado Nuclear nos Desertos de Níger, revela, além da devastação provocada por anos de devastação da exploração, que há contaminação de humanos por radiação muito além dos níveis mundialmente aceitáveis. O estudo é fruto de uma parceria do Greenpeace com o laboratório francês independente CRIIRAD e a ONG nigerina ROTAB. Desde o fim de 2009, pesquisadores medem níveis de radiação na água, ar e no solo nas cidades próximas às minas de urânio do país. Os dados reunidos em relatório mostram que a população de Níger respira, bebe e consome radiação muito acima do recomendado.
Em 1971, presença do urânio em Níger chamou a atenção da AREVA, multinacional de origem francesa entre as maiores do mundo em produção de energia nuclear. Na época, a extração foi anunciada como um esforço de resgate de um país em miséria extrema. A verdade é que o começo desta história coincide com a insatisfação generalizada contra a extração de urânio e outras atividades devastadoras ligadas à geração de energia nuclear em solo europeu. Na África, a mineração podia ser realizada sem burocracias e a baixíssimo custo. Para o solo, o ar, a água e a população de Níger, os custos, no entanto, foram altíssimos.Nas cidades de Arlit e Akokan, construídas em função das duas grandes minas da AREVA, o cenário é devastador. Imensas nuvens de poeira causadas pelo detonar das minas chegam a tampar a visão. Testes realizados nesta região concluíram que quatro em cada cinco amostras de água apresentaram níveis de contaminação acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O mesmo valeu para os testes sobre a qualidade do ar. Uma hora de exposição à radiação do local, diz o estudo, extrapola a dose de contato recomendável para um ano inteiro. O resultado são índices de doenças pulmonares duas vezes maiores do que no resto do país, além de maior incidência de defeitos congênitos e casos de câncer, principalmente leucemia. “O urânio tem tendência a se acumular nos ossos, justamente onde fica a medula. É lá que se desenvolve a leucemia. É muito difícil para o corpo eliminar este tipo de metal”, explica André Amaral, coordenador da Campanha de Energia Nuclear do Greenpeace. No Brasil, caso semelhante também foi alvo de denúncia, primeiro do Greenpeace, depois do próprio Ministério Público. Após oito meses de investigação, foi encontrado urânio acima dos limites estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e a OMS na água de dois poços da cidade de Caetité, interior da Bahia. Os poços estão dentro da área de influência da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que faz a mineração e beneficiamento do urânio na região. “As minas de urânio pelo mundo contabilizam problemas”, diz André Amaral. “A extração é perigosa, expõe a população a níveis inaceitáveis de radiação e é resultado de empresas e agências reguladoras que agem de forma irresponsável e leviana”, conclui. Em Níger, a AREVA se declara amiga do meio ambiente, apesar dos chocantes níveis de contaminação comprovados. O Greenpeace cobra um estudo independente conduzido pela empresa e que, após comprovado o problema, empreenda-se um trabalho de limpeza e descontaminação do que ainda puder ser salvo.

Fonte: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Um-rastro-de-contaminacao-/
Postado por: Mariana

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Energia nuclear ganha força na matriz do País

A energia nuclear deve aumentar a sua presença na matriz elétrica brasileira. A perspectiva inicial é colocar em operação nos próximos 20 anos mais quatro novas usinas, duas no nordeste e duas outras no sudeste, o que elevaria a geração termonuclear para 7,3 mil MW ante os 1,990 mil MW existentes. Essa capacidade de hoje representa apenas 2% de todo o parque gerador nacional, mas, com os cenários futuros projetados pelo governo, o crescimento da geração nuclear poderá chegar a 20% de participação na matriz elétrica brasileira, é o que afirma o diretor presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, com exclusividade ao DCI. Somadas, essas quatro novas usinas podem gerar investimentos de cerca de R$ 25 bilhões se se considerar o atual valor da usina de Angra 3, que continua em construção na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA) no município fluminense de Angra dos Reis. Apesar, porém, de afirmar que as oito centrais já poderiam atender a demanda nacional, o executivo afirmou que esse crescimento pode levar à criação de mais uma central, elevando para dez o número estabelecido previamente no programa de desenvolvimento energético nacional. “No Brasil a energia nuclear nunca será como na França, onde ela é a fonte principal, mas poderá chegar a 20% da participação na energia gerada em nosso País”, afirmou ele. Esse otimismo está baseado na necessidade de o País ter a complementaridade de sua matriz energética por meio de fontes térmicas de geração, mesmo com o governo tendo arrefecido a entrada de empreendimentos termoelétricos movidos a derivados de petróleo e a carvão. Estas fontes são consideradas altamente poluidoras e de custo mais alto quando colocadas em operação. Segundo as contas da Eletronuclear, as gerações a diesel e a óleo combustível passam de R$ 600 por megawatt-hora (MWh), enquanto o preço da energia nas usinas de Angra dos Reis fica em R$ 135,28 por MWh. Esse valor está abaixo até mesmo do de fontes consideradas renováveis como as Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCHs) que foram concedidas no leilão A-5, que negociou energia por um período de 30 anos a R$ 154 por MWh.

Texto de Maurício Godoi
Fonte: http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=7&id_noticia=336980&editoria=

Postado por: Mariana

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Energia Nuclear: Geração de Energia

Uma das principais utilizações da energia nuclear é a geração de energia elétrica. Usinas nucleares são usinas térmicas que usam o calor produzido na fissão para movimentar vapor de água, que, por sua vez, movimenta as turbinas em que se produz a eletricidade. Em um reator de potência do tipo PWR (termo, em inglês, para reator a água pressurizada), como os reatores utilizados no Brasil, o combustível é o urânio enriquecido cerca de 3,5%.

Isso significa que o urânio encontrado na natureza, que contém apenas 0,7% do isótopo 235U, deve ser processado (‘enriquecido’) para que essa proporção chegue a 3,5% (figura 3). Em reatores de pesquisa ou de propulsão – estes últimos usados como fonte de energia de motores em submarinos e navios –, o enriquecimento pode variar bastante. Para a confecção de bombas nucleares, é necessário um enriquecimento superior a 90%.

Figura 3. Esquema de funcionamento de um reator a água pressurizada


O processo completo de obtenção do combustível nuclear é conhecido como ciclo do combustível e compreende diversas etapas:
i) extração do minério do solo;
ii) beneficiamento para separar o urânio de outros minérios;
iii) conversão em gás do produto do beneficiamento, o chamado yellow cake (ou ‘bolo amarelo’);
iv) enriquecimento do gás, no qual a proporção de 235U é aumentada até o nível desejado;
v) reconversão do gás de urânio enriquecido para o estado de pó;
vi) fabricação de pastilhas a partir da compactação do pó;
vii) e finalmente a montagem dos elementos combustíveis, quando se colocam as pastilhas em cilindros metálicos que irão formar os elementos combustíveis do núcleo do reator.

Atualmente, no mundo, estão em operação 440 reatores nucleares voltados para a geração de energia em 31 países. Outros 33 estão em construção. Cerca de 17% da geração elétrica mundial é de origem nuclear, a mesma proporção do uso de energia hidroelétrica e de energia produzida por gás.

Alguns países desenvolvidos têm seu abastecimento de energia elétrica com um alto percentual de geração nuclear. Entre eles, a França tem 78%, a Bélgica 57%, o Japão 39%, a Coréia do Sul 39%, a Alemanha 30%, a Suécia 46%, a Suíça 40%. Somente nos Estados Unidos, os 104 reatores em funcionamento, que geram 20% da eletricidade daquele país, produzem mais eletricidade que todo o sistema brasileiro de geração elétrica. Além desses reatores, funcionam mais 284 reatores de pesquisa em 56 países, sem contar um número estimado de 220 reatores de propulsão em navios e submarinos.

Retirado em: http://www.biodieselbr.com/energia/nuclear/energia-eletrica-nuclear.htm

Postado por: Andréia

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Energia Nuclear e Impacto Ambiental

Podemos verificar que cada vez mais pensamos no ciclo de vida dos produtos que compramos. Imaginemos, por exemplo, pilhas sendo devolvidas aos seus fabricantes, produtos de informática ou geladeiras antigas – que contém gases do tipo CFC (Cloro-Flúor-Carbono) – sendo depositados em locais adequados para a reciclagem. Ao discutirmos a Energia Nuclear e seus aspectos ligados ao meio ambiente, devemos primeiro conhecer o chamado ciclo do “elemento combustível nuclear”. Utiliza-se o termo “elemento” para designar o arranjo de varetas contendo o urânio encapsulado, que será consumido durante o funcionamento dos reatores nucleares. Esse ciclo inicia-se na etapa de mineração de urânio. A percentagem de urânio nos minérios, normalmente, é baixa, menos do que 1%. Desse modo, grandes quantidades de material têm de ser trabalhadas para se obter a quantidade necessária de urânio para o funcionamento de um reator nuclear durante um ano. Se não for adequadamente planejada, como qualquer atividade de mineração de grande porte, a mineração de urânio pode causar forte impacto ambiental. Esse planejamento deve incluir, entre outros, questões como: a geração de poeiras, a utilização das águas e a recuperação da área degradada após o fechamento do empreendimento.

Retirado em: http://web.ccead.puc-rio.br/condigital/mvsl/Sala%20de%20Leitura/conteudos/SL_energia_nuclear_e_impacto_ambiental.pdf
Postado por: Sandra Ritter